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Fazendas estocam células dos melhores animais do rebanho
Revista DBO - Denis Cardoso



A Geneal, empresa especializada em clonagem bovina, pertencente ao pecuarista Jonas Barcellos, da Fazenda Mata Velha, de Uberaba, MG, prepara campanha institucional para propagar um novo conceito dentro do segmento de produção de clones. Trata-se dos serviços de congelamento de células somáticas de animais considerados excepcionais, portanto, passíveis de clonagem. “Esse trabalho visa primeiramente garantir a preservação genética do animal caso ele morra de maneira repentina”, diz o geneticista Rodolfo Rumpf, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, de Brasília, parceira da Geneal nos projetos de clonagem.

Segundo Rumpf, o armazenamento das células funciona como um verdadeiro seguro do animal. “No mercado tradicional de seguro de animais de elite, o que está em jogo é o valor indenizatório, apenas. Já a nossa proposta representa uma garantia de fato de que essa genética, muitas vezes de valor imensurável, será resgatada em caso de perda prematura”, compara o pesquisador, que chefiou a equipe da Embrapa responsável pela criação do primeiro clone bovino da América Latina – a bezerra Simental Vitória, que morreu no ano passado, aos dez anos de idade.

Nem sempre é possível coletar a tempo hábil as células de um animal morto de maneira inesperada. Em casos de morte provocado por raio, perde-se de imediato qualquer possibilidade de aproveitamento do material genético, segundo o geneticista. “Há tempos atrás, um selecionador do Paraná perdeu, de uma só vez, cinco grandes vacas do rebanho após a incidência de raios”, relembra. Em outros incidentes, como picada de cobra, é possível isolar as células em laboratório num período de 6h a 12h após a morte. No entanto, pondera Rumpf, o trabalho realizado às pressas pode comprometer a qualidade do material genético, inviabilizando a clonagem. “Para não correr riscos, o ideal é que se realize esse tipo de serviço de maneira tranquila, de preferência com o animal ainda vivo e saudável, pastejando na fazenda”, diz Rumpf.

O trabalho institucional da Geneal contará com depoimentos, em vídeo, de importantes selecionadores que já contrataram o serviço de congelamento de células de animais candidatos à clonagem. Como é o caso do próprio Jonas Barcellos, que, segundo o geneticista, possui um banco genético de todas as grandes matrizes Nelore de seu rebanho. Além da Mata Velha, representantes de fazendas como Sabiá, Nova Trindade, Baluarte, Fortaleza VR, Nelore 42, Porto Seguro e RM Nelore também já garantiram o estoque genético de seus animais considerados mais importantes.
Rodolfo Rumpf: serviço funciona como um verdadeiro seguro de animais expoentes da raça

As células somáticas são obtidas a partir da retirada de um pedaço de pele do animal, inferior a um centímetro quadrado, geralmente extraído da parte de trás da orelha ou da cauda. Em laboratório, após a remoção dos pêlos, essas células são multiplicadas em placas de cultivo, isoladas e inseridas em palhetas ou frascos, que, por sua vez, são armazenados em botijão de nitrogênio líquido (idêntico ao usado para a estocagem de sêmen bovino). Caso o criador opte em utilizar o material genético, basta descongelar parte dessas palhetas e seguir as etapas normais de um processo de clonagem. “Mesmo que se faça uso de algumas palhetas, o criador sempre terá material genético em abundância de seu animal em estoque”, esclarece.

Custos – A Geneal cobra R$ 2.000 por cabeça pelo serviço de coleta, multiplicação e congelamento estratégico de células. Além desse valor, é preciso arcar com um custo adicional de manutenção do material nos botijões de nitrogênio, no valor de um salário mínimo (R$ 622,00) por animal/ano. “Tomamos o cuidado de armazenar as amostras de cada animal em até três botijões diferentes, como garantia para eventuais acidentes ocorridos com algum deles”, enfatiza Rumpf. Como medida de segurança, o criador também pode estocar parte desse material genético em botijões instalados em sua própria fazenda.
Na avaliação do geneticista, os valores cobrados pelo serviço de estocagem de células são baixos diante do potencial de valorização de animais expoentes da raça, que, segundo ele, são negociados geralmente por quantias superiores a R$ 500 mil. “Sem contar a importância estratégica desses animais para o trabalho de seleção de cada criador”, enfatiza. O serviço de armazenagem de células também tem custo bem inferior ao valor cobrado pela Geneal para a produção de um clone, que gira por volta de R$ 50 mil. “O preço alto da clonagem é reflexo da baixa eficiência da técnica, que apesar dos avanços tecnológicos obtidos nos últimos dez anos, ainda não passa de 1%, ou seja, de cada cem embriões clonados, apenas um deles torna-se um embrião viável”, afirma Rumpf.

Maior eficiência – O genetista da Embrapa, diz, porém, não ter dúvidas de que, no futuro próximo, a clonagem se tornará competitiva no Brasil, fazendo com que seja empregada por um número maior de criadores, envolvendo até mesmo produtores de gado comercial. Para que isso ocorra, diz Rumpf, não se espera “nenhum pulo do gato” referente à tecnologia, mas sim um esforço repetitivo de todos cientistas em busca de resultados mais consistentes e aperfeiçoamento da técnica, trabalho este feito com o apoio da iniciativa privada, como é o caso da parceria entre a Embrapa e a Geneal. “Estamos trabalhando para que os níveis de sucesso das transferências alcancem, nos próximos quatro anos, em torno de 10%, o que talvez poderia fazer com o valor cobrado pela produção de um clone caísse para algo próximo a R$ 15 mil por animal”, afirma.
Mansão Mata Velha: uma das matrizes com células armazenadas no banco genético da Geneal

Ainda segundo Rumpf, aos poucos, o perfil de animais clonados vem mudando nos últimos anos, embora todos eles ainda pertençam a mesma categoria, e de gado de elite. “Se antes o alvo predominante eram os grandes animais do passado, hoje busca-se clonar matrizes ou touros ainda em evidência no mercado de genética, mas que, por alguma razão, já não há volumes suficientes de material genético (de sêmen ou embriões) para atender toda essa demanda de mercado”, explica.
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